29 de outubro de 2014

Prosa Hermética 34

A incapacidade de ordenar uma multidão de sintagmas. Virgular a vida. Continuar a continuar-se. Ocupado demais para aprender a apreender aquilo que cooptaria a paixão que se esboça por aí, de vez em quando, quando ninguém vê. Aqui na camada interior, anterior à maquinaria expressante, uma multidão de sintagmas incapazes de ordenar os vãos que permanecem. Vida virgular. Paralisado demais para desprender daquilo que entope os poros e os polos, com resignação circular, concreta e compartilhada. Ali na camada exterior, o maquinário ameaça parar, porém continua, mesmo desordenado e mergulhado em vãos, a continuar-se de formar exemplarmente virgulante.

16 de janeiro de 2012

Prosa Hermética 33

E, de repente, em um dia o significado das coisas muda. O universo ganha outra razão de ser. Foi hoje. O amanhã não será mais o mesmo. É muito sério, mas eu só consigo sorrir

31 de dezembro de 2011

Prosa Hermética 32

Copo vazio. Corpo roto. Futuro que clama = Um esgoto. Palavras vazias. Nulo escopo. Nulo escopo. Eu já  não sou seu garoto. Eles não acreditam, sou escroto. Tudo que digo é perdigoto. Nulo escopo. Nulo escopo.  Que um dia eu seja o outro, que sabe o que diz, que é feliz, que está morto. A base ruiu, minha parte partiu, o futuro é vazio e não posso ser louco, não posso querer pouco. Nulo escopo, nulo escopo

26 de dezembro de 2010

Prosa Hermética 31

Cave um poço para esconder seu desespero. Posso ser mesmo que incompleto. Acredite na Checoslováquia como porto seguro. Hinos heróicos em volume ensurdecedor. Bandeiras manchadas sem vento para alegrar. Nascidos para matar, convencidos a morrer. Sussurrar aos velhos surdos historinhas para ninar. Viúvas virgens já não esperam o amor. Romances baratos foram feitos para arder em chamas. E se chamas pelo fogo é o gelo que virá. Tudo dito e explicado para não fazer sentido. Todo roto e esfarrapado no escuro a não chorar. Destroços são de aço. Meus ossos derreterão. Tudo que é chão também pode ser cova. Soldadinhos de plástico marchando para lugar nenhum e travando batalhas imaginárias. Somos. E mesmo assim ferem os tiros, doe perder a batalha.

19 de dezembro de 2010

Prosa Hermética 30

Não sei o quê devo pensar. Não sei como devo agir. Não gosto do que vejo. Incomoda a apatia do círculo. É o mesmo barco? Não vou me esconder. Dormir só para acordar. Correr é desespero. Vicioso modo de ver. Arco, fluxos, carpetes. É o mesmo mar? Tossir para viver. Morrer por respirar. São os outros. É o plástico. É a poeira.

11 de abril de 2010

Prosa Hermética 29

5 segundos. 3 minutos. 8 horas. Uma semana. Meses. Uma vida.
Expectativa.
Não quero ser expectador, mas espero...
Medidas de tempo são medidas de vida?
Quanto tempo leva para? Até onde chego até?
Os relógios da cidade não me levam a lugar algum, a função destes relógios, desconfio, é fazer-me atrasar.
Já são antigos os anseios para o amanhã.
A novidade, mesmo, é querer acomodar.

24 de janeiro de 2010

Prosa Hermética 28


Meu cão vomita flores. Sou refém de entregadores, instaladores e afins.
Minha geladeira está vazia, mas cadê a euforia, decadente e vazia, que nestas horas eu costumava sentir?
Logo chegam os presentes, e eu não escovei os dentes.
Logo irão embora os convidados, e então poderei “nudar” a prateleira de sorrisos ensaiados.
Eu quero apenas o que vem depois…


24 de dezembro de 2009

Prosa Hermética 27



É preciso parcimônia para não matar o condutor. O caminho, que eu sei é longo, acabará com o porvir. Quero estradas, quero mares, armas retóricas e torpor. Que o cão ladre, cague e morda. É preciso parcimônia para não matar o condutor, desviar do caminho, descarrilar...

7 de novembro de 2008

Prosa Hermética 26

Cãibra. A batata da perna encontra o osso da canela. Crânio exposto e sem contento. Sono e exaustão. O músculo se contrai em um espasmo. É o vicio do desgaste, filho pródigo da tensão. Anotados todos os sintomas chega-se à falta de escopo. Os nervos estão inflamados devido à entediante repetição. Sou máquina de carne e osso, um joguete quase automático disto a que chamam destino. Eu chamo de cativeiro.

27 de agosto de 2008

Prosa Hermética 25

As fotos têm efeito. O passado é só o que virá. Está frio aqui... Está frio aqui.
Se têm medo, têm tudo. Eu sou só um pouco estranho. Eu sou só mais um normal. Estranho...
Eu vou dormir. Não sei quando acordar. Já está tarde, eu sei...
Escrevi banalidades no azulejo da cozinha. Está frio aqui... Está frio aqui.
Ecos falsos me perseguem onde não deveria ecoar. Já as sombras desistiram... Não vejo mais o sol. Toda luz é artificial. Está frio aqui... Está frio aqui. Eu tenho medo de congelar.
Eu tenho tudo.

15 de junho de 2008

Prosa Hermética 24

A palavra faleceu e o que tenho é apenas espectro.
Desfaleci para a subjetividade do porvir. Acordei para a silenciosa mediocridade imediata. Eu canto jingles. Eu danço conforme a música. Eu obedeço à sinalização para o trânsito das existências.
Eu sei que desapareci mergulhado em uma onda praiana. Eu sei que me perdi. Eu sei que não estou aqui.

19 de março de 2008

Prosa Hermética 23

Vão-se os dedos e nada fica.
Chutes na porta. Ossos de vidro. Pessoas em trânsito. Para onde vão?
Em vão. Sem olhar para trás. Seguindo as conveniências. Em vão.
Palavras perdidas, injustificadas, vãs.
Então eu vou. E que se danem as quimeras. Implodiram minhas esperanças pictóricas.
Tudo é cinza e brincar de colorir é exercício infantil. Amigos são os que estão na mesma direção, os outros são passantes, cruzadores, distração.

10 de março de 2008

Prosa Hermética 22

Perspectiva. O velho mantra ecoa novamente. Desconstruções para sobreviver.
O futuro tem aspecto. O presente é apenas tempo verbal.
Em pé... Depois de muito tempo imerso... Chão.
Os estorvos estão espalhados ao redor, porém deste ângulo eu os vejo claramente.
As promessas foram feitas ao espelho e isto é o que vale no jogo de encaixar.
Em qual direção? Qual mão-de-obra construirá o labirinto de minha obsessão?
Perspectiva, caos e parto. Mantra.

13 de fevereiro de 2008

Prosa Hermética 21

Eu preciso prometer para alguém. Destroços é o que tenho.
Partes de corpos danificados. Vários perdidos em sono provisóriamente eterno.
Composição adentro. Plastificação afora.
Eminente queda.
Eles virão.
Eu preciso encontrar aquele espelho.
Fique tranquilo, aquela idéia ainda está aqui (em algum lugar).
Promessas feitas...

29 de janeiro de 2008

Prosa Hermética 20

Eram flores e estou fragmentado. O que eu sei sobre todas as mecânicas íntimas? São infinitas, labirínticas, traiçoeiras... É um brinquedo caro, outra possibilidade qualquer... Eram os tolos na chuva. Eram as máquinas de crachá. Eram todas as razões lógicas e inúteis. O silêncio refletirá a paz que me foi roubada. E se acordei pensando em bombas é porque dormi sonhando com tranqüilidade superficial. Era a minha vez, eu sei senhor, era a minha última chance para juntar-me a qualquer outra simples existência... Mas nós estamos apenas perdendo tempo, porque eu acredito na complexidade, porque eu desejo a profundidade... Este pequeno mundo sobre os meus ombros é apenas parte de todo o meu universo... Eram nomes escritos em folhas molhadas. Eram vidas há um segundo atrás. Nunca foi apenas uma coincidência metafísica... E estou fragmentado. Tudo está planejado para dar errado, mas eu quero mesmo assim.